terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

LIMITES DA DOR FÍSICA E DA DOR PSICOLÓGICA: USO DO PARACETAMOL

 

O paracetamol é um dos medicamentos analgésicos mais usados no combate às dores físicas. O remédio não age apenas no local onde está havendo o desconforto, age, também, nos centros cerebrais onde são recebidas as informações sensoriais dos tecidos, bloqueando os receptores nervosos, impedindo que a dor seja sentida.

Com evidências que o paracetamol age também em uma área do cérebro córtex cingulado dorsal anterior (DACC, pela sigla em inglês), responsável por sentimentos de rejeição social e de frustração e sensação de incerteza ou de confusão, uma pesquisa realizada na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, resolveu testar o remédio em provocações de frustração, tolerância às minorias e decisão.

Os resultados da pesquisa confirmaram a ação da medicação: quem usou paracetamol foi menos intolerante com minorias, mostrou menor frustração pessoal e angústia reduzida. Um novo teste foi elaborado e os resultados foram semelhantes. O paracetamol foi capaz de reduzir a atividade do DACC e atenuar o sofrimento e a sensação de rejeição e intolerância. A pesquisa foi publicada na revista Psychological Science.
No entanto, especialistas afirmam que é cedo para que este analgésico seja incluído nas receitas de medicações para sofrimentos psíquicos. Esta pesquisa apenas averiguou as reações sociais dos participantes expostos e de não-expostos ao analgésico e comparou os resultados. Novas pesquisas mais minuciosas precisam ser realizadas, e com a utilização de equipamentos de ressonância magnética que possibilitem a ação direta do medicamento para que possam ser mais eficazes. Apesar disto, para os responsáveis, consideram que as dores físicas e psicológicas estão associadas de alguma forma. 

O sofrimento físico é capaz de provocar algum sofrimento emocional, como o estresse. Se a dor do corpo for aliviada a dor mental também reduz. Como diria o poeta Carlos Drummond de Andrade, “a dor e inevitável, o sofrimento é opcional”, no entanto, nunca usem nenhum medicamento sem a orientação de um profissional habilitado.

Este texto foi produzido sob o efeito de paracetamol, utilizado para amenizar o sofrimento causado por uma cefaleia (que talvez seja tema para um texto futuro) que me atacou a noite inteira.

Ulisses Nacimento
Psicólogo, CRP-02/15.389

 - Do Melqui Lima